O exercício físico está ganhando um lugar mais definido no cuidado de pessoas com câncer. Uma nova norma de credenciamento nos Estados Unidos prevê avaliação das necessidades de exercício e encaminhamento dos pacientes. Para quem está em tratamento ou acompanha um familiar, a notícia traz uma pergunta prática: como transformar essa orientação em cuidado individualizado?
A mudança valoriza a integração entre oncologia, reabilitação e profissionais do exercício. Entenda o alcance da norma, as evidências e os cuidados antes de escolher uma atividade.
Índice
1. O que muda com a nova regra nos EUA?
Em comunicado de 16/10/2026, o ACSM informou a aprovação do padrão Exercise Oncology Services pela Comissão de Câncer do Colégio Americano de Cirurgiões, em 26/09/2026. A vigência está prevista para 01/01/2028. [1]
Cerca de 1.400 centros credenciados deverão avaliar necessidades de exercício durante o primeiro curso de tratamento e encaminhar pacientes a serviços adequados, com protocolos escritos. A norma não obriga todo paciente a treinar e não se aplica ao Brasil.
2. O que as pesquisas mostram sobre exercício e câncer?
Uma referência importante é o estudo CHALLENGE, publicado inicialmente on-line em 1º de junho de 2025. O ensaio distribuiu aleatoriamente 889 pessoas com câncer de cólon operado, após quimioterapia adjuvante, entre um programa estruturado de exercício de três anos e materiais de educação em saúde. [2]
A estimativa de sobrevida livre de doença em cinco anos foi de 80,3% no grupo de exercício e 73,9% no grupo de educação: diferença de 6,4 pontos percentuais. Esse desfecho considera recorrência, novo câncer primário ou morte. Eventos adversos musculoesqueléticos foram mais frequentes no grupo de exercício: 18,5% contra 11,5%.
É um resultado relevante em um grupo específico. Não demonstra que qualquer modalidade produza o mesmo efeito, que valha para todos os cânceres ou que o exercício substitua o tratamento oncológico. O estudo é de 2025; a novidade de outubro de 2026 é a mudança no credenciamento dos serviços americanos.
3. O que muda nos EUA e o que já existe no Brasil?
O INCA, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde publicaram, em 2023, recomendações para adultos durante e após o tratamento oncológico. O documento destaca benefícios como redução da fadiga e melhora da qualidade de vida e do estado psicossocial. [3]
Portanto, a discussão brasileira já tem referências próprias. A notícia americana pode ampliar a conversa sobre acesso e encaminhamento, sem apagar o trabalho existente no país.
| Aspecto | Estados Unidos | Brasil |
|---|---|---|
| Referência | Nova norma de credenciamento anunciada pelo ACSM. | Recomendações do INCA, SBOC e SBAFS. |
| Data | Aprovação em 26/09/2026; anúncio em 16/10/2026; vigência prevista para 01/01/2028. | Documento brasileiro publicado em 2023. |
| Alcance | Programas credenciados pela Comissão de Câncer. | Orientações técnicas para o cuidado de adultos durante e após o tratamento. |
| Aplicação | Avaliação das necessidades de exercício e encaminhamento conforme o caso. | Referência para profissionais envolvidos em oncologia e promoção de atividade física. |
São instrumentos com funções diferentes. A norma americana organiza uma exigência de credenciamento; as recomendações brasileiras orientam a prática profissional. [1] [3]
4. Como adaptar o exercício durante e após o tratamento?
O consenso internacional sobre exercício para pessoas que têm ou tiveram câncer destaca a individualização. Tipo de tratamento, capacidade funcional, sintomas e condições associadas interferem na escolha das atividades. Situações como metástases ósseas, alterações importantes de equilíbrio ou doença cardiopulmonar exigem avaliação e cuidados específicos. [4]
O treino deve acompanhar as mudanças de condição ao longo do cuidado. Exercícios, resistência, volume e intervalos precisam fazer sentido para aquele momento. A orientação de evitar inatividade não equivale a recomendar uma aula intensa para todos.
A pergunta útil é: qual atividade, em que dose e com qual acompanhamento faz sentido para esta pessoa hoje?
Para o aluno, isso também significa poder comunicar dificuldades e rever o planejamento. Comparar o próprio rendimento com o de outros participantes acrescenta pouco quando as condições e os objetivos são diferentes.
5. Musculação, caminhada ou treino na areia: como escolher?
O nome da modalidade, sozinho, não responde qual é a melhor escolha. As referências citadas não demonstram superioridade do treino na areia no cuidado oncológico nem validam um programa específico da FITSLIFE.
Um ponto de partida é conversar com a equipe responsável sobre o objetivo: recuperar autonomia, lidar com dificuldades nas tarefas diárias ou retomar uma atividade prazerosa. A partir disso, os profissionais podem discutir o ambiente e o acompanhamento adequados.
A preferência por treinar ao ar livre merece ser ouvida, assim como a preferência por musculação ou caminhada. Ela faz parte da decisão, junto com a avaliação das necessidades e limitações. Uma boa proposta precisa caber na vida da pessoa e respeitar o contexto do tratamento.
6. Exercício e cuidado oncológico em Jacarepaguá: por onde começar?
Para moradores da Freguesia e de outras regiões de Jacarepaguá, estas perguntas podem ajudar na conversa com a equipe assistencial e com o profissional de exercício:
- Qual é o objetivo da atividade nesta fase?
- Existe alguma restrição ou necessidade de reabilitação?
- Qual profissional ou serviço tem a formação necessária para acompanhar meu caso?
- Como as orientações do tratamento serão compartilhadas e atualizadas?
- Quais mudanças na minha condição exigem rever o programa?
Escolher um serviço próximo pode facilitar a rotina, mas o acompanhamento precisa ser compatível com o caso. Em algumas situações, o caminho adequado será a reabilitação ou um serviço especializado.
Na FITSLIFE, a conversa sobre treinamento começa pelo histórico e pelos objetivos do aluno. Uma avaliação funcional pode apoiar decisões sobre exercício, mas não substitui a avaliação oncológica. Este artigo tem finalidade informativa e não anuncia atendimento oncológico especializado.
Referências científicas e fontes
- ACSM. Exercise Is Medicine Becomes a Requirement in U.S. Cancer Care. 16/10/2026. Fonte institucional do anúncio e das datas de aprovação e implementação prevista.
- Courneya KS et al. Structured Exercise after Adjuvant Chemotherapy for Colon Cancer. New England Journal of Medicine. 2025;393:13–25. Ensaio clínico CHALLENGE. Publicação on-line: 01/06/2025. DOI: 10.1056/NEJMoa2502760.
- INCA, SBOC e SBAFS. Recomendações de atividade física durante e após tratamento oncológico. 2023. Referência brasileira sobre exercício no cuidado oncológico.
- Campbell KL et al. Exercise Guidelines for Cancer Survivors: Consensus Statement from International Multidisciplinary Roundtable. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2019;51(11):2375–2390. Texto completo disponível.
Fontes consultadas em 18/10/2026. Conteúdo educativo; a escolha do exercício durante e após o tratamento requer avaliação individual. A imagem de capa é ilustrativa, criada com inteligência artificial, e não retrata paciente ou atendimento real.
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