O Beach Tennis parece simples para quem observa de fora. Mas basta entrar na quadra para perceber que o esporte exige muito mais do corpo do que apenas saber bater na bola.
Arrancadas curtas, mudanças rápidas de direção, saltos, deslocamentos laterais, acelerações, desacelerações e movimentos repetidos acima da cabeça fazem parte do jogo. Por isso, jogar mais Beach Tennis não significa necessariamente estar fisicamente preparado para jogar melhor.
O que o Beach Tennis exige fisicamente?
O atleta precisa produzir força rapidamente e repetir movimentos durante toda a partida. Entre as capacidades importantes estão força de membros inferiores, potência, velocidade de reação, mudança de direção, estabilidade de tronco, coordenação, resistência muscular, mobilidade e capacidade de acelerar e desacelerar.
Além disso, existe uma característica fundamental: praticamente tudo acontece sobre a areia. E isso muda a maneira como o corpo produz força.
Treinar na areia é diferente
A areia é uma superfície deformável. Parte da força aplicada pelo atleta é dissipada pelo próprio terreno. Isso modifica a mecânica dos deslocamentos e aumenta a demanda energética de diferentes movimentos.
Uma revisão sobre treinamento em areia demonstrou diferenças fisiológicas e biomecânicas importantes em comparação com superfícies mais rígidas. Pesquisas mais recentes também encontraram benefícios do treinamento na areia para capacidades relacionadas à mudança de direção, salto horizontal e sprint.
Isso ajuda a entender por que o treino na areia pode ocupar um espaço importante na preparação para o Beach Tennis. Mas existe um detalhe: treino na areia não substitui musculação.
Onde entra a musculação?
Na musculação conseguimos trabalhar força de maneira muito mais controlada. Agachamentos, exercícios unilaterais, movimentos para cadeia posterior, panturrilhas, puxadas, empurradas e exercícios para o tronco podem ser selecionados de acordo com a necessidade de cada praticante.
O objetivo não é transformar o jogador de Beach Tennis em fisiculturista. O objetivo é construir uma base física capaz de sustentar os movimentos do esporte. Quanto melhor essa estrutura, maior pode ser a capacidade de produzir e controlar força durante as ações esportivas.
O core merece atenção especial
No Beach Tennis, praticamente nenhum golpe depende apenas do braço. Existe uma transferência de força que começa no contato com o solo, passa pelas pernas e quadril, atravessa o tronco e chega aos membros superiores.
Por isso, estabilidade e força do core fazem parte da preparação. Evidências em esportes de raquete mostram melhora em capacidades como equilíbrio, agilidade, resistência do core e força muscular após treinamento específico dessa região.
Potência e mudança de direção
Uma partida possui diversas ações rápidas. O atleta precisa sair de uma posição relativamente estável e responder à bola em poucos instantes.
Por isso, exercícios de potência, aceleração, desaceleração e mudança de direção podem entrar progressivamente na preparação. O treinamento pliométrico também apresenta evidências interessantes em esportes de raquete para potência, força, velocidade de sprint, mudança de direção e tempo de reação.
Isso não significa simplesmente colocar o atleta para saltar o máximo possível. A carga precisa ser controlada e encaixada dentro da periodização.
Musculação + areia: a combinação
Uma preparação física para Beach Tennis pode utilizar dois ambientes complementares.
Na musculação, construímos principalmente força, controle de movimento e capacidade de suportar cargas.
Na areia, aproximamos parte desse trabalho das características específicas encontradas no esporte. Podem entrar deslocamentos laterais, acelerações curtas, desacelerações, mudanças de direção, exercícios coordenativos e trabalhos de potência selecionados de acordo com a fase de preparação.
Um ambiente não precisa competir com o outro. Eles se complementam.
O erro é treinar tudo forte ao mesmo tempo
Existe uma diferença enorme entre fazer exercícios e construir uma preparação física. Preparação exige organização.
Se o atleta joga Beach Tennis várias vezes durante a semana, faz musculação, realiza treino físico na areia e ainda pratica outras atividades, todas essas cargas precisam entrar na mesma conta.
Caso contrário, podemos ter excelentes exercícios organizados dentro de uma estratégia ruim. É justamente aí que entra a periodização. Força, potência, treino específico, recuperação e jogos precisam conversar entre si.
A avaliação também faz parte do processo
Antes de simplesmente aumentar o treinamento, é importante entender quem está treinando. Histórico esportivo, rotina, frequência de jogos, força, mobilidade, assimetrias, composição corporal e resposta às cargas podem ajudar na tomada de decisão.
O programa de um atleta competitivo não precisa ser igual ao de uma pessoa que joga Beach Tennis duas vezes por semana por lazer. Individualização continua sendo uma das bases da preparação física.
Preparação física para Beach Tennis em Jacarepaguá
Na FITSLIFE, a proposta é integrar musculação e treinamento físico na areia dentro de uma mesma estratégia de preparação.
Em vez de simplesmente acrescentar mais exercícios à rotina do praticante, o objetivo é organizar as capacidades que realmente precisam ser desenvolvidas de acordo com o nível, frequência de jogos e objetivos individuais.
Jogar é o esporte. Preparar o corpo para suportar e executar o esporte é preparação física.
Conclusão
O Beach Tennis exige força, velocidade, potência, estabilidade, coordenação e capacidade de realizar movimentos rápidos sobre uma superfície instável.
Por isso, uma preparação completa não precisa escolher entre academia ou areia. Pode utilizar as duas. A musculação desenvolve a base de força. O treinamento na areia aproxima parte dessa capacidade das demandas encontradas no jogo. E a periodização organiza tudo isso para que o atleta não esteja apenas treinando mais, mas treinando com propósito.
Referências científicas
- Dose-response relationships of sand training compared to other surface training in improving change of direction and jump performance.
- Effect of sand-based training on sprint performance: a systematic review and meta-analysis.
- Effectiveness of core strength training for racket sport athletes’ performance: a systematic review and meta-analysis.
- Effects of plyometric training on measures of physical fitness in racket sport athletes: systematic review and meta-analysis.
Gostou do conteúdo?
Adicione a FITSLIFE às suas fontes favoritas no Google.



